A história de dois Josés

São José

A apresentadora Regina Casé contou a história abaixo sobre São José no domingo passado no seu programa de televisão, Esquenta, da Rede Globo. Leia a transcrição da narração:

“Durante muitos e muitos anos, todo dia 19 de março, que é dia dele, São José, tinha uma festa bem grande na casa de um amigo meu, o Paulo Coelho. Sempre ele lia este texto:

– Eu costumo lembrar que das cinco vezes que a palavra sonho aparece no Novo Testamento, quatro se referem a ele, José, o carpinteiro.

Em todos esses casos, ele está sempre sendo convencido por um anjo a fazer exatamente o contrário do que ele queria.

Um anjo pede que ele não abandone a sua mulher, embora ela apareça grávida. Ele podia dizer coisas assim, do tipo:

Nossa, mas o que os vizinhos vão pensar? Como que vai ser?

Não. Ele volta pra casa. Acredita na palavra revelada.

O anjo manda ele ir embora para o Egito. A resposta dele podia ter sido:

Puxa, mas eu já moro há tanto tempo aqui. Já estou estabelecido como carpinteiro. Já tenho minha clientela. Agora vou para o Egito? Ninguém me conhece lá.

Entretanto, ele arruma suas coisas e parte em direção ao desconhecido.

O anjo aparece de novo e diz para ele: – Volta do Egito.

Bom, José podia ter de novo pensado e ter dito para o anjo assim:

Puxa, caramba. Logo agora que eu consegui me arrumar aqui. Me estabilizar um pouquinho, arrumar minha vida.  Tenho uma família para sustentar.

Ao contrário, do que o senso comum manda, o José segue seus sonhos.

Mais tarde, tanto a mulher, como um dos filhos se transformam nas grandes referências do Cristianismo. Só que ele não sabia disso. Ele, simplesmente, aceitou o mistério.”

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José (filho de Jacob)

Filho preferido de Jacó, apesar de não ser o seu primogênito (mas o primeiro filho de Raquel, a mulher que mais amava), José nunca escondeu a sua posição de superioridade em relação aos outros irmãos, que se ia manifestando através de sonhos em que a sua figura tomava sempre um lugar de destaque e liderança. O favoritismo, de que era alvo por parte do pai, valeu-lhe a malquerença dos irmãos, que o venderam, por 20 moedas (sheqel) de prata, como escravo a mercadores ismaelitas, os quais levaram José ao Egito do período da XVII dinastia.

Já no Egito, foi comprado por Potifar (oficial e capitão da guarda do rei do Egipto), de quem conquistou a confiança e tornou-se o diligente dos criados e administrador da casa. Na casa de Potifar, acabou estudando com um escriba e aprendeu o antigo egípcio. Foi preso após acusação injusta de tentativa de abuso da mulher do seu amo, depois de uma tentativa frustrada de sedução por parte desta.

Na prisão
Na prisão, tornou-se conhecido como intérprete de significado dos sonhos. Lá, ele decifrou o sonho do copeiro-chefe e padeiro-chefe do palácio do Faraó, que foram presos acusados de conspiração. Segundo a interpretação de José, o sonho do padeiro-chefe indicava que este seria enforcado, mas o do copeiro-chefe indicava que este seria salvo, tendo isto mesmo ocorrido.

O sonho do Faraó
Vale ressaltar que àquela época a casta dos sacerdotes se opunham ao faraó, apoiavam um outro faraó, Taá II, que tinha domínio no Alto Egito e sempre estavam por trás das fomentações de conspirações. O faraó Apopi I pertencia a linhagem dos hicsos, um povo que havia invadido e tomado o poder no Egito.

Um dia, o Faraó teve um sonho profético no qual sete vacas magras comiam sete vacas gordas e mesmo assim continuavam magras. Para explicar seu sonho, ele convocou todos os sacerdotes do Egito para decifrá-lo. Nenhum desses conseguiu, então o copeiro-chefe se lembrou do escravo na prisão, José, que tinha decifrado seu sonho e indicou-o ao Faraó. Então, o Faraó chama José e este consegue dar uma interpretação que o satisfaz, de que o Egito passaria por sete anos de fartura e sete anos de seca, consecutivos.

José torna-se Adon do Egito
Logo após a interpretação de José, o Faraó, muito satisfeito com a inteligente interpretação de José, dá a José um anel de seu dedo e o nomeia Adon do Egito, um cargo semelhante a chanceler, apesar de algumas versões da bíblia trazerem a palavra Governador.

José, então, ordena que se construam celeiros para guardar a produção do Egito durante os anos de fartura. Em verdade, também, José, nos anos em que passou na prisão, havia se inteirado da situação política do Egito e sabia também que nos anos de seca apenas ele, do Baixo Egito, teria comida criando assim uma vantagem sobre o soberano egípcio Taá, apoiado pela casta sacerdotal e que governava o Alto Egito. E assim aconteceu. Nos sete anos de seca, José, que vendia os cereais dos celeiros reais a preço de ouro, conseguiu comprar para o Faraó quase a totalidade das terras do Alto Egito.

José reencontra-se também, com os seus irmãos, que pensavam erradamente que José ia matá-los. José depois se apresentou a seu pai que correu aos braços arrependido, e com a chegada destes, com seu pai, ao Egito.

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