Intuição?

No post profético anterior, um pouco antes de sair do trabalho, falei da  importância das pessoas que ligamos no momento de aperto, angústia, felicidade e etc.

Eu não sabia, mas iria presenciar o desabamento de dois prédios no Centro do RJ, algumas poucas horas depois. Nada me aconteceu, mas fiquei alguns minutos atordoada, sem saber o que fazer, para onde ir e principalmente precisando de uma palavra amiga.

Liguei para três pessoas:

– Mamis para não ficar preocupada quando visse na televisão
– Minha amiga Renatinha, pois poderia ser uma pauta interessante para alguma amiga dela, pois liguei logo depois do ocorrido.
– Cintia, professora da academia que eu estava malhando que tinha saído minutos antes, queria saber se ela estava bem.

Claro que se eu tivesse um namorado, ligaria para ele. Mas não foi sofrido, não ter este personagem na minha vida. Cada dia percebo que preciso de pessoas que gostam verdadeiramente de mim, não importando qual o tipo de relacionamento que temos. Amigos podem nos apoiar nestes momentos.

O que mais gostei, foi a ligação dos amigos, que sabendo que faço academia ali do lado, me ligaram espontaneamente. Ter pessoas que se importam com vc é bem reconfortante.

Para quem você liga

Há alguns dias recebi um telefonema que foi mais revelador do que receber um “eu te amo”.  Conquistar confiança é de um valor intangível. Confesso que estou ansiosa e nervosa. Por este motivo compartilharei a coluna do Ivan sobre este assunto.

Para quem você liga?

A gente não telefona para qualquer um quando o mundo desmorona

IVAN MARTINS

O telefone tocou logo cedo. Era a namorada, chorando. Tivera uma noite de sono ruim, chegara ao trabalho cansada e dera de cara com um problema sério, que parecia insolúvel. Bateu o desespero e ela ligou. Conversamos. Não havia o que fazer além de se acalmar e tentar resolver o caso. Disse isso a ela, juntei umas palavras de carinho e a ligação terminou de forma tranquila, uns minutos depois. Ela só precisava desabafar.

O significado dessa história cotidiana me parece da maior importância: é essencial ter alguém para quem ligar quando estamos aflitos, tristes ou perdidos. É fundamental ter com quem falar quando o mundo a nossa volta desmorona ou parece hostil e desanimador. Mesmo quando estamos felizes diante de uma notícia inesperada, ou de algo por muito tempo aguardado, temos necessidade de falar, contar, dividir. Para quem você liga nessas horas?

Nós damos uma importância enorme – e merecida – ao erotismo e ao romantismo nas nossas relações. Essas coisas são mesmo essenciais. Mas há outro componente na vida dos casais, igualmente fundamental, para o qual a gente nem sempre dá o devido valor. É a função de conforto e aconchego que o outro tem na nossa vida. É a proteção, ainda que subjetiva, que ela ou ele nos oferece. Quem ocupa essa posição detém uma das chaves da nossa existência. A pessoa para quem a gente faz a primeira ligação é uma pessoa essencial.

Faz algum tempo, uma amiga minha foi assaltada na porta da casa dela. A experiência foi assustadora, claro. Ela entrou no prédio apavorada, abriu a porta do apartamento chorando e correu para o telefone. Mas, em vez de ligar para o namorado, ligou para um colega do trabalho. Não foi pensado. Foi um impulso. Ela chamou a pessoa que ela gostaria de abraçar, a pessoa de quem precisava naquele momento. Só depois, quando a conversa com o colega acabou, ela se lembrou de ligar para o namorado. “O que isso significa sobre a minha relação com esses dois homens?”, ela me perguntou, uns dias depois. Eu achei que nem precisava responder. Significa, não?

Os telefonemas que a gente faz na hora do perrengue são reveladores. Eles exibem nossas conexões profundas, até mesmo as lealdades inconfessáveis. Se você acabou uma relação, mas ainda gosta da mulher, vai perceber um minuto depois de bater o carro. É para ela que você vai ter vontade de ligar. Se você conseguiu um tremendo emprego, não vai contar para o bonitão que conheceu no bar na semana passada. Vai ter vontade de ligar para o sujeito que sabe como isso é importante para você. E quando a gente bebe e fica insuportavelmente romântico e sentimental? Numa hora dessas, ninguém liga para pessoas estranhas. Comoção a gente divide com gente de confiança. Somos ridículos apenas com quem nos conhece muito bem.

Claro, nós não ligamos para uma única pessoa na vida. Temos vários interlocutores, para diferentes situações. Às vezes precisamos da franqueza de um amigo, outras vezes do apoio incondicional da mãe ou de um irmão. Quando os filhos crescem é gostoso dividir com eles coisas importantes, assim como ouvi-los em casa de dúvida. Quanto maior for essa agenda essencial, quanto maior o número de pessoas para quem se possa dar um telefonema íntimo, melhor. A minha impressão, porém, é que mesmo a família acolhedora ou amizades sólidas não substituem a cumplicidade de uma parceira emocional. Ter alguém especial para quem ligar faz toda a diferença – sobretudo quando as coisas parecem estar caindo sobre a nossa cabeça.

Na única vez que eu estive na China, anos atrás, houve um terremoto. Acordei com a cama sacudindo e percebi, apavorado, que o quarto inteiro do hotel tremia. Eu estava acima do 20º andar e pude ver o mundo balançando pela moldura da janela. Não recomendo a experiência. A coisa durou alguns terríveis segundos e cessou de repente. Alívio. Minha primeira reação, sentindo que tinha escapado da morte, foi sentar na cama e ligar para a ex-mulher, que estava no Brasil. Ela ouviu por três segundos e me interrompeu com uma ordem: “Larga esse telefone e corre pra rua! Pode ter outro terremoto logo em seguida!” Era uma criatura prática… Eu tinha ligado para dizer o quanto ela era importante, mas nem foi preciso. O ato de telefonar já dizia tudo, mesmo que eu não tivesse aberto a boca. 

Eu acredito em você. E você?

Um dos momentos que me fizeram chorar no ano passado, foi o incêndio nos barracões da Cidade do Samba. Só quem dá o sangue por uma escola, sabe como é doloroso, ver o trabalho inteiro ser transformado em cinzas.

Há dois meses atrás, recebi um telefonema junto com convite de desfilar em uma destas escolas, a Grande Rio. Fiquei super feliz com o convite, pois apesar de ser torcedora roxa da Mocidade Independente de Padre Miguel, o enredo me cativou.

A escola abordará a superação no Carnaval de 2012. Quem não tem uma história de superação para contar? Só aqueles que não viveram. Curiosamente a minha história de virada e vitória,  ocorreu na Sapucaí. Não sei o que seria da minha vida, se não tivesse descoberto este amor por escolas de samba e também pelo carnaval no Rio de Janeiro.

Neste domingo, participei do primeiro ensaio técnico e pude perceber toda a garra que escola tricolor de Duque de Caxias irá trazer na segunda-feira de carnaval. E ao som: “Quem me viu chorar, vai me ver sorrir”, escorreram lágrimas por este momento de superação da minha vida.

Segue o samba-enredo deste ano – Eu acredito em você!E você?
Autores: Edispuma, Licinho Jr., Marcelinho Santos & Foca

A luz que vem do céu
Brilhou no meu olhar
Trazendo a esperança
Que os anjos vêm anunciar
Lutar sem desistir
Das cinzas renascer
Eu encontrei na fé
A força pra vencer
A felicidade mandou avisar
É preciso superar

Derrubar o “gigante” eu vou
É lição de coragem e amor
Eu sou “guerreiro do bem” vou caminhar
A minha história vai te emocionar

A arte de viver…
É aprender no dia a dia
Usando a imaginação
Ao som da melodia
Posso enxergar…
Sei que meu coração vai me guiar
Eu sigo em frente sem desanimar
Em Parintins um grande “festival”
Acreditar que prá sonhar não há limitações
A “roda gira” e traz a solução
Me dê a sua mão por liberdade
Sou brasileiro mandei a tristeza embora
Eu “to” sentindo que chegou a nossa hora

Quem me viu chorar … vai me ver sorrir
Eu acredito em você… pro desafio
E abro o meu coração, cantando a minha emoção
Superação é o carnaval da Grande Rio.

Estado civil: Divorciada

Como já tinha noticiado por aqui, a partir de 16 de janeiro de 2012, mudei meu estado civil para divorciada. E me sinto livre, leve e solta.

Por ter tido uma demora para convencer meu ex-marido para assinar estes papéis, esta conquista foi importante para fechar um ciclo da minha vida.

Infelizmente, nesta etapa, não houve festa, presença de familiares, desejos de felicidades e nenhum representante religioso. Mas, mesmo não sendo um ritual comemorado na nossa sociedade, fiquei com a sensação de meta cumprida para meu processo de crescimento pessoal e para os próximos passos da vida.

Muitos me perguntaram porque queria tanto me divorciar, se já estava separada judicialmente. Só pensava na energia que ainda me linkava com uma parte da minha vida que não existe mais. E sendo bem sincera, imagina se um dia o ex me pede isso, pq vai casar de novo. Uma informação da vida dele, que não me interessa.

Olho para trás e não me reconheço. Mudei, amadureci e se não estou feliz como vislumbrei, estou mais feliz do que estive enquanto casada.

Se fosse revelado meu futuro quando tomei a decisão de acabar com meu matrimônio, acho que não teria coragem de dar este passo. Tinha muito medo de ficar sozinha, de não casar de novo, de não construir outra família. Já se passaram 3 anos, não me casei de novo e não constituí outra família, porém não me sinto só.

O que eu achei que não ia suportar: a cama vazia do lado esquerdo, a ausência dos papos cabeça, da parceria, do meu suporte emocional, das datas comemorativas, dos amigos em comum e das palhaçadas dele. Sobrevivi a todas as ausências, mesmo doendo muito.

Todas estas características legais que me prendiam ao casamento, já não existiam mais no fim. Mas você se apega a estas doces lembranças, para não ter que encarar o desconhecido terreno da separação.

Separar requer estômago, frieza e muita coragem. Enfrentar família, comentários maldosos, fofocas, enquanto você só que parar o Mundo para descer dele.

Pretendo fazer pequenas comemorações ao lado de pessoas queridas para celebrar esta nova fase. Casar de novo, não está nos meus planos. Só se a pessoa valer muito a pena. Talvez tenha filhos sem casar ou morar junto. Mas jogo no cosmo, um grande desejo: amar e ser amada novamente.

Se pudesse escolher o momento, iria pedir agora. Mas já vivi tanta coisa no período pós casamento, que não tenho pressa, não espero que isso irá acontecer com qualquer pessoa que apareça na minha vida. Só peço ao universo, sabedoria para não perder este amor que está reservado para todos nós.

O amor verdadeiro.

P.s.: Acesse este link, para ter ideias para uma festa de divórcio.

Vícios

Confesso que sou viciada. Não é uma substância ilícita, mas também faz um estrago.

O meu vício atende pelo nome de Homens Podres.

Sempre brinquei com uma amiga, que tendo cesto com as maçãs boas, sempre pego as podres.

É isso, depois de um dezembro de overdose, em janeiro processo de desintoxicação.

Divórcio

Finalmente assinei meu divórcio e no momento da assinatura, Gil tocando em alguma FM, nos brindou com esta música:

Esotérico
Gilberto Gil

Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu prá você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais
Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí
Não adianta nem me abandonar (não adianta não)
Nem ficar tão apaixonada, que nada
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim