Mais uma previsão. Desta vez é o tarot

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Rainha de Paus
Manter-se fiel a si: condição fundamental para o triunfo

A Rainha de Paus emerge como arcano conselheiro para a sua vida neste momento, Luciana, sugerindo a necessidade de manutenção da fidelidade para com seus objetivos e ideais, por mais que todas as outras pessoas insistam para que você tome outros caminhos. A lealdade para consigo é condição fundamental para o sucesso neste momento. Persista e, por mais que você chegue a ter dúvidas de que irá conseguir, terminará obtendo o desejado – talvez não da maneira como você imaginava, mas de uma forma altamente satisfatória. Várias pessoas tentarão lhe convencer a abandonar seus caminhos, chamando de “tolice” os objetivos que você tem em mente. Ainda que você tenha de assumir uma postura não tão simpática, mantenha-se fiel ao seu desejo de alma.

Conselho: Manter a persistência é fundamental.

Olha a mensagem que recebi do I-Ching hoje

Céu em cima, fogo embaixo: reunião

O décimo terceiro hexagrama do I Ching é um dos melhores sinais para relacionamentos, sejam eles sociais, profissionais ou – melhor ainda – afetivos. A combinação do céu com o fogo sugere reunião, ligações com pessoas que sentem, pensam e agem como você. Conhece o conselho que diz “vá procurar sua turma”, Luciana? Pois é. Chegou a hora de encontrar sua turma ou, pelo menos, alguém com quem você sente enorme afinidade e com quem pode iniciar um relacionamento afetivo muito proveitoso. Coisas muito bonitas acontecem quando pessoas que se amam se encontram. A relação vai sendo construída passo a passo e a confiança é fortalecida de uma maneira fluida, proveitosa. Prepare-se para viver a saudável experiência de amar e receber amor, Luciana. Entretanto, não se deixe cegar pela felicidade do momento. Por melhor que suas relações fiquem, vocês certamente terão que enfrentar muitos problemas no futuro. Mas se construírem um relacionamento a partir de uma base de amizade profunda, serão crises perfeitamente superáveis.

o futuro desta situação

O hexagrama de hoje possui uma ou mais linhas móveis. Isto significa que elas se transformam em suas opostas, dando origem a um novo hexagrama. Leia abaixo as perspectivas para seu futuro próximo. Entenda melhor

Ao longo de nossa vida, nos damos conta que existem coisas que duram pouquíssimo tempo, mas há também coisas que duram bem mais. Essas coisas duradouras quase que invariavelmente são interiores, são as nossas qualidades e virtudes, assim como também alguns de nossos defeitos. É chegado o momento de compreender quais são as coisas duradouras em você, Luciana. Quais as virtudes que você possui como constantes em sua vida? Que tal evocá-las agora? A vida está demandando que você faça valer suas qualidades, sobretudo as que você reconhece como parte de sua vida desde quando era criança ou adolescente.

Outro ponto importante deste hexagrama é que ele nos leva a perceber que os relacionamentos vêm e vão, os projetos começam e acabam, mas há algo que se configura como sendo eterno. Você pode até mudar de relacionamento, Luciana, mas o desejo de amar perdura. Pode mudar de projetos, mas o desejo de crescer perdura. Assim sendo, não importa tanto qual é o foco externo dos seus desejos, contanto que você aprenda a valorizar suas próprias virtudes neste particular momento de sua vida.

SEGUNDA LINHA MUTÁVEL: Cuidado para você não terminar agindo de maneira muito crítica em relação a alguém neste momento, Luciana. Você poderá ofender uma pessoa próxima, de uma forma absolutamente desnecessária. Não se coloque acima dos outros, evite a todo custo dar shows de arrogância, pois você pode apenas terminar queimando seu próprio filme ao invés do dos outros…

QUINTA LINHA MUTÁVEL: Você encontrará uma pessoa do seu passado afetivo. É muito provável que um amor antigo seja retomado. Seja paciente e deixe as águas rolarem tranqüilamente. O que foi separado voltará a se reunir.

SEXTA LINHA MUTÁVEL: O lado mais elevado do amor se manifestará em sua vida neste momento: a compaixão. A capacidade de perdoar, de amar as pessoas com suas imperfeições, o desprendimento… Virtudes que, no final das contas, tornam você alguém que vale a pena ter do lado, Luciana.

 

Shit Cariocas Say

As frases e manias cariocas estão reunidas no vídeo “O jeitinho carioca”. Baseado em uma produção americana sobre Nova York, o vídeo elenca diversas pérolas que só quem mora na Cidade Maravilhosa conhece. Feito pela 2olhares e a produtora Makulelê, o curta de cinco minutos, postado ontem, está se tornando um viral.

E, claro, me identifiquei em vários momentos.

First of all: não saio de casa sem casaco. O ônibus que faço meu trajeto casa-trabalho, só funciona em duas temperaturas: quente ou pinguim. Pode estar o calor de 45º graus, dentro do ônibus, as pessoas estão tremendo de frio.

– Sempre atrasada –  Ligo para avisar que já vou chegar e ainda estou distante. Moro longe de tudo nesta cidade.

– Morava num apê super apertado mais bem localizado. O preço do aluguel compensava. Aí casei, me mudei e perdi minha “gavetinha” de frente para estação do metrô de Ipanema.

– Uso casaco em temperaturas amenas e adoro comer fondue no nosso “inverno”.

– Quando chove, para fugir dos longos engarrafamento causados pelo alagamento, vou de trem.

– Quem tem amigos cariocas já sabe: Vamos marcar de sair, de passar na sua casa ou qualquer outra coisa do gênero, mas em 99% dos casos, nada vai rolar.

– Dia sim e outro também, vai esbarrar numa gravação de comercial, novela, filme e etc, e vai dar uma olhadinha se tem algum ator famoso. Mesmo, que ignore a presença do artista. Pouquíssimos cariocas são tietes.

– “Partiu Bola Preta” – Não sou de reclamar das grandes aglomerações, mas evito o Bola Preta, pq prefiro outros blocos de carnaval.

– Adoro me esconder dos bofes malas que já peguei.

– Tomar uma tigela de açaí é parte da rotina

– Assisto BBB e fui vizinha de um

-Tenho histórias hilárias de como fugir do flanelinha sem pagar o estacionamento

– Toda tiazona carioca fica mega neurótica com o mosquito da dengue. Lá em casa sou obrigada a fechar a tampa do vaso sanitário.

– “Imagina o Rio na Copa?”

Cansaço

Além do cansaço físico, pois substituírei mais uma vez minha editora nas suas férias, estou cansada emocionalmente.

Tudo que precisava era morar sozinha, passar dias na minha caverna e colocar pra fora todo este sentimento represado.

Mas o que tenho é uma falta de privacidade, uma dificuldade de esconder o que sinto e muito trabalho pela frente.

Hoje terei um grande reconhecimento profissional. Com um projeto do qual fiz parte e que a sua primeira etapa está chegando ao fim. Pelo menos desta vez, me esforcei para que tudo desse certo. Dei meu máximo. Só quero ficar feliz com esta conquista.

Nunca trabalhei por dinheiro. Tudo que fiz foi por gostar de exercer minha profissão. Por isso a falta de empolgação, não tenho apego ao dinheiro. E, ultimamente, só tenho visado uma oportunidade de ter um aumento salarial. Quero realizar alguns sonhos que dependem de grana. Mas isso não combina comigo, não tenho uma grande ambição. Sou movida por metas ou sonhos e não por ascensão social.

Seis meses

Às vezes penso que deveria trocar o nome do Femme Land para Tempo, tempo, tempo.

É um assunto recorrente, pq o tema me fascina. Quando estou num momento de reflexão, faço minhas viagens mentais. O que estava fazendo há seis meses atrás? Como estarei daqui há seis meses?

E o hoje? O que trago comigo? Alegrias, tristezas, aprendizados.

Gosto de comparar e imaginar o encontro da Luciana de agora com a Luciana do passado. Queria poder receber a visita de mim mesma com 40 anos. Quais conselhos receberia?

Não gostaria de mudar o meu passado e não tentaria modificar o meu futuro, mas só queria conforto nos momentos difíceis. Uma confiança de que as coisas ruins passam.

Se fosse viajar agora há seis meses atrás e me encontrasse, não diria o que ia acontecer. Apesar de saber que era um dia especial da minha existência. Ia chegar no meu quarto por volta das 6 da manhã, a Lu de 30 anos estaria se arrumando, empolgada. Aquela empolgação de fim de ano.

Do jeito que sou desconfiada, a Lu do passado iria deduzir que algo importante aconteceria, mas ficaria calada, esperando o que eu de agora teria a me falar.

E assim começaria meu discurso:

“Querida, que bom rever este momento. Sei que está agoniada para que o ano acabe logo, porém 2011 foi o seu ANO de ser feliz, aproveite-o na sua plenitude até o último segundo. Você está empolgada e aproveite, vai ficar mais. Estou vindo de seis meses na frente, então não tenho muitas novidades a contar. Não terá um filhote e nem irá se casar neste período. Mas nos próximos 15 dias algo que quer muito, vai se realizar. E outras que nem sonha também. E vai questionar a porra toda, coisas que eram importantes vão perdendo o sentido. Só vim aqui para pegar um pouco desta felicidade, porque um tufão vai passar, e nada fica do mesmo jeito após um tsunami. Não fique com medo, ninguém morrerá. Não irei dar conselho pra fazer nada diferente, por mais que o se baita na minha consciência. No fim das contas, você dará o máximo dos seus sentimentos em todas as situações, e fazendo tudo com coração é melhor do que qualquer conselho furado que eu dê. Por sermos uma só, não estragarei a surpresa de revelar o seu futuro (meu passado), pois gostamos de ser surpreendidas pela vida.

Ame com toda energia que tem. A única coisa que direi, que sim, terá (e receberá) muito amor (algo que ainda não viveu). O inesperado vai acontecer e ñ tenho como dimensionar de como ficará feliz. Mas não se preocupe em receber. Agora é a hora de distribuir este bom sentimento para as pessoas que ama. Acredite, elas estarão precisando, mais do que você.

Só afirmo de como é bom realizar sonhos (mesmo que eles percam a importância ou ñ aconteçam da forma que imaginamos) e viver coisas que nem imaginava serem reais.

Desejo muita força e fé. Ñ tenha vergonha de pedir auxílio a Deus. Ele nunca dará as costas para nós. Peça a misericórdia do Pai altíssimo. Acredite que ele não está contra você.

Uma mensagem: Voliu / Kamav ou, no dialeto cigano, o mesmo que muito amor. Você está num momento sensível, onde predominará a força do seu amor acima das outras. O momento é esse, siga seu caminho com o coração e coisas boas virão.”

Perdoando Deus

Perdoando Deus

Clarice Lispector

Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.

Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso “fosse mesmo” o que eu sentia – e não possivelmente um equívoco de sentimento – que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.

E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.

Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.

Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar – não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele – mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.

… mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.

in “Felicidade Clandestina” – Ed. Rocco – Rio de Janeiro, 1998

Foto da peça que assisti com textos de Clarice Lispector