Presente

Hoje não citarei o passado e nem o que espero do futuro. Estou sempre fazendo isso. Só quero atualizar os últimos acontecimentos aqui no blog e falar de como estou AGORA enquanto escrevo estas palavras.

Passei (ainda não terminou, mas está quase no fim) por um período de retiro que classificarei como espiritual. O meu momento de contato com meu interior no qual fui bem fundo. De olhar a dor e sentí-la sem anestésico. De enxergar a vida tal como ela é. E também tomar ciência de algumas de minhas falhas.

Acho que escolhi este processo inconscientemente. Poderia ter empurrado uma relação (que naquele novembro tenebroso estava no fim) com a barriga enquanto outros problemas me atormentavam muito mais. Escolhi um caminho difícil. Resolvi abrir mão de pequenos prazeres e enfrentar grandes dores.

Como um ser pensante que sou e pela experiência de vida resolvi não ressuscitar um moribundo. Se é para doer que seja logo de uma vez, não vou ficar prolongando este processo.

Antes de embarcar em missão para os EUA tirei da tomada o que mantinha viva a minha relação falida. Peguei um avião cheia de medo do que ia acontecer na América mas com esperança de que tudo ia dar certo. Nem parei para pensar no morto que larguei aqui em terras brasileiras.

Missão cumprida com sucesso, de volta a cidade maravilhosa, fui fazer o enterro. Pelo menos metaforicamente. Os meses seguintes foram de luto, não só pelo fim da relação mas por todas as porradas que passei em 2012. Na busca de algo que fizesse cessar minhas lágrimas ou que desse força para continuar, parei na Igreja. E nela estou até hoje. Não sou católica apenas escutei um chamado do meu coração para buscar Deus. Esta convocação pedia para assistir a missa por vários domingos por um tempo indeterminado.

Encarei o chamado e na primeira missa tive uma surpresa desagradável. Era para ter desistido, mas continuei. Veio fevereiro (adoro este mês) e boas notícias chegaram. Mas era apenas uma marolinha. Somente ilusões.

Após esperanças desfeitas, o tombo maior das minhas expectativas, a dor aumentou. Não dividi com ninguém além de Deus o peso da minha cruz.

Não sei dimensionar o tanto e o quanto mas fiquei fortalecida.

Uma coragem que nunca tinha experimentado, uma atitude nunca antes tomada e uma vontade imensa de crescimento pessoal.

Recentemente abri meu coração mais uma vez. Desnudei minha alma de uma forma inédita e fui dormir em paz. Com poucas esperanças.

Quando pensei que as coisas tinham acabado, recebi um outro sopro de fé. Consultei meus guias espirituais, meu coração e li os sinais e coloquei limites como nunca tinha feito.

E assim entra meu presente. O que escrevo aqui vem do sentimento de dever cumprido quando sentei numa mesa ontem à noite e me posicionei. Com uma pitada de agressividade mas também com amor, firmeza, desejo controlado e fé que dias melhores virão.

P.S.: E quem disse que ia apenas escrever sobre o presente, digitou apenas uma frase.

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