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Duas vezes terminei relação no dia dos namorados, devo ter um karma ruim ou fiz  algo para o santo Antônio.

Tento não ser uma pessoa má, de diversas formas. Mas a minha mania infantil de ser verdadeira me coloca em apuros.

A primeira relação pós-divórcio começou toda torta. O namorado já com planos de dividirmos um teto e eu ainda tentando entender o boeing que atropelou. Difícil não estar carente e confusa neste cenário. Mas não estava preparada para casar de novo após pouquíssimos meses de separação. Como uma novela mexicana, comecei a chorar quando trocamos presentes no dia dos namorados, como aquela cena não fizesse parte de mim. Não queria estar ali com aquela pessoa tão devotada. Deve ser a mesma sensação de quem abandona o noivo no altar, uma aflição, uma escolha de uma vida. Até hoje carrego culpa por não ter terminado antes ou depois, mas não consegui segurar a sinceridade dos meus sentimentos naquele instante.

Neste ano, estava numa relação que não vingava, já sabia que ia acabar, não por minha escolha. Como eu não queria terminar, fiquei esperando o infeliz tomar iniciativa. Eu pertenço ao mundo que homens nunca terminam e isso é um inferno. Porque você olha e fala: – Cadê a relação que estava aqui? Ih, fugiu.

O sádico resolve enviar mensagens sobre a conjuntura econômica mundial num sábado à noite, véspera do dia dos namorados. Nada de palavras como estou com saudades e vamos tomar um vinhozinho juntos para espantar este frio glacial que atingiu o Rio de Janeiro nestes dias. Um torpedo de amiguinhos depois de dias te evitando, é meio estranho e sem propósito. Não sou mulher de ficar guardada na geladeira, como uma pizza velha e dormida.

Para não prolongar a relação que nem começou direito após seis meses de encontros em todos finais de semana, saídas com a família e amigos, mensagens que eram diárias no celular mas que começaram a ficar raras, mas não era um namoro, fechei este ciclo do quase mas bateu na trave.

Quando eu era mais nova, a data comemorativa era muito especial. Eu sonhava em ter minha alma gêmea para poder viver este romance todo. Porém, vivi tantos anos acompanhadas e tantos outros sozinhas. Já tive até crush casando neste dia e eu sofrendo em casa. Mas tudo passa, né. Hoje é apenas uma data, que se eu estiver acompanhada vai ser da hora e se estiver sozinha vou fazer tantas coisas legais também. Antes só do que mal acompanhada e já estive em boas e más companhias. Valorizo a pessoa que eu amo tanto, que sou eu mesma.

Vesti minha melhor jaqueta, caprichei na maquiagem, conferi o meu visual  no espelho e fui assistir um show cover dos beatles. Porque “all you need is love”, principalmente o amor próprio. Nada como dançar um rock anos 60 para fechar e iniciar novo ciclo.

 

 

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