Resposta a um e-mail

Recebi o seguinte e-mail de uma amiga:

Eu corto logo o mal pela raiz…não tenho muito sangue frio para viver uma relação  até o fim sabendo que não terá fim…ou melhor, sabendo que no final eu vou me ferrar. Se é para sofrer com ele, que sofra sem ele e tenta a possibilidade de achar outra cara metade.”

Não concordei com esta opinião e para não entrar num atrito com minha amiga, me calei. Mas resolvi responder aqui:

Amiga

Em algumas situações decidimos arrancar o mal pela raiz. Cada um sabe (ou pelo menos deve ser capaz de escolher) qual vale a pena suportar e qual deve pegar sua bolsa e cair fora.

O amor pode ser eterno. Porém todas relações tem seu fim, TODAS. Nem questiono isso. Nem que seja o término pela morte de um dos amantes. Por mais que eu acredite na imortalidade do espírito, vai haver um período de separação (no caso da morte).

Então partindo do princípio que todas relações acabam por diversos motivos, esta, no qual se refere, um dia vai acabar. Não tenho como prever quando isso vai acontecer, pode ser amanhã ou daqui há dez anos. Mas estar ao lado de alguém é uma escolha diária. Nunca vou parar de questionar isso, sempre irei consultar meu coração sobre o que estou sentindo e até onde vou por amor.

É engraçado, ouvir de você, que no fim vai se ferrar. Esqueceu de contar quantos corações partiu e que no fim não sofreu tanto assim. Mas vamos relembrar das histórias que acabaram com você sofrendo muito, estas que guardamos nas lembranças. Você deixaria de viver alguma história passada que terminou mal? Eu não.

Tudo que vivi até hoje fizeram parte do que SOU. Já tive relações que cortei o mal pela raiz e teve outras que tentei, tentei e tentei fazer a mesma coisa e simplesmente não consegui. E enquanto não me entreguei ao que estava sentindo, não pude me libertar deste amor ruim.

Você sabe, você acompanhou minha última odisséia com Mauro. Toda vez que tentava sair, lá estava eu de novo tendo recaída. Os mais racionais, iriam dizer que era burrice. Mas, hoje, te digo com o aprendizado adquirido, só me livrei quando resolvi  libertar aquele amor do meu peito. Só quando declarei meus sentimento, sem esperar a reciprocidade pois sabia da não correspondência, saí da minha prisão interna. Fiz tudo que estava ao meu alcance e lutei pela primeira vez por alguém. Pois também tinha esperanças que tudo, um dia, podia mudar. Ele não merecia, mas investi meu tempo, meu amor, meu carinho. E vou te falar, fui feliz. Claro que não queria o término, mas enquanto estivemos juntos fiz de cada beijo, o mais doce. Vivi intensamente os momentos bons, sem pensar no fim. E sofri em cada afastamento, em cada nova namorada. Se tivesse cortado o mal pela raiz, não teria vivido coisas inesquecíveis. E por isso, não me arrependo desta escolha.

Você também sabe que nunca deixei de conhecer outras pessoas, enquanto estava com Mauro. Eu amava, mas não estava disposta a ser fiel, a quem não me amava. Foi uma outra escolha. Apareceram várias pessoas na minha vida, algumas bem legais, mas nenhuma fazia meu coração bater com mais força.

Até que um dia por cansaço, por reconhecer que a batalha estava perdida ou por esvaziar meu peito daquela paixão, eu me deparei com outra pessoa. E aí, o Mauro, passou. Sofri tanto durante a relação, que no fim, não houve espaço para tristeza. O sentimento passou. E assim, num dia, como um passe de mágica, estava apaixonada por outra pessoa.

Reconheço que hoje não tenho mais paciência de agir assim. Não quero buscar outros homens. Lembra que Mario Quintana fala de não correr atrás das borboletas e enfeitar o jardim. Pois é. Vou deixar a borboleta vir até a mim. Não preciso ter várias relações paralelas, para no fim das contas, não ter um relacionamento inteiro. A fase frenética passou.

Amiga, não se arriscar por medo de sofrer é a pior burrice que alguém pode cometer. Não temos como prever o que vai acontecer, talvez o que hoje seja uma grande fonte de questionamento e tensão, amanhã pode ser apenas uma lembrança de como foi tola se preocupando com algo sem importância. Aceite seu presente (por isso se chama presente), se abrindo com sentimentos de esperança e otimismo. Não estou pedindo para tirar os pés do chão, mas em alguns momentos, liberte seu coração para voar.

Sempre dê chances ao amor. Não desperdice as chances de amar e ser amada. Como é bom amar e sentir a recíproca. Acredite no futuro e permita-se viver também os amores impossíveis. E assim, quem sabe, numa tarde de primavera, o possível bate a sua porta.

P.S.: Iria usar uma outra imagem, mais romântica para minha carta. Mas acho que deveria continuar a ter fé, pois Jesus fará o AMOR BATER A SUA PORTA.

Betty, a feia

Às vezes, você tá quietinha num canto, trabalhando e alguém lança um assunto. Algo corriqueiro de um escritório. Só que desta vez, o tema era sobre uma das minhas novelas preferidas. Eu quase não acreditei. Alguém citou que adorava Betty, a feia. Como uma viagem no tempo, fui a maio de 2002.

Eu tinha 22 anos, estava numa fase bem deprimida, pois tinha sofrido um sequestro e um problema de saúde grave um ano antes, e fazia uns anos que não conseguia arrumar um bofe para uma relação séria.

Betty, era minha dose de romance e breguice, uma distração. Durante a novela, comecei a namorar meu ex-marido. Ele nunca entendeu porque eu não saía de casa enquanto estivesse passando os capítulos. Até fazer parte de grupo de discussão sobre a obra colombiana, participei.

Com a feia, podia sonhar com o príncipe encantado. Suspirava junto com a personagem  pelo seu chefe charmosão. Claro que não acredito (e também não acreditava) em príncipes, mas imaginá-los é muito bom. Isso aconteceu há quase dez anos atrás. Fiquei com saudade.

Assista o primeiro capítulo:

Veja o primeiro beijo de Armando e Betty, a feia 

E o clímax, a transformação do patinho feio em cisne.

Não é a toa que minhas fábulas preferidas são Patinho Feio e a Bela e a Fera. Também gosto da Cinderela, mas sobre a gata borralheira escreverei numa outra vez.

Ligar os pontos

No final do ano passado, publiquei um texto sobre os personagens bíblicos de nome José e além do nome em comum, eles tinham uma ligação muito forte com o divino através de sonhos.

A postagem detalha a história de São José, marido de Maria, de como ele seguiu o que os sonhos mandaram. Essa obediência a Deus, mais tarde resultou que tanto a sua mulher, e um dos filhos se transformam nas grandes referências do Cristianismo. Só que ele não sabia disso ao seguir as instruções.

Quando o empreendedor Steve Jobs morreu em outubro do ano passado, descobri um vídeo que ele faz uma palestra para formandos de Stanford em 2005. Steve Jobs fala, dentre outras coisas, sobre ligar pontos. De como a passagem de 10 anos na sua vida, certos acontecimentos, fizeram todo sentido. “Você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.” explica o dono da Apple.

José, o carpinteiro, quando seguiu seus sonhos, não sabia o que seria a sua vida. Hoje, mais de dois milênios, aquela escolha fez todo sentido, os pontos estão interligados.

Steve Jobs, não sabia que seu curso de caligrafia seria a base destas palavrinhas que estão lendo agora. Ele apenas seguiu sua intuição.

Às vezes, não conseguimos entender as coisas que ocorrem na nossa vida ou de conhecidos. Não precisa ser coisas tão grandiosas como a base da família cristã. Mas o inesperado acontece e nos deixa perdidos. Só lá na frente que iremos ligar os pontos. E tudo terá uma explicação. O que resta é aceitar o mistério e  confiar na intuição.

Segunda, dia 19 de março, será comemorado o dia de São José e precisarei do Seu suporte. Que Ele nos abençoe para não perdermos a fé e nos ajude nestes momentos de dúvida que somos orientados por uma força superior para seguir nosso coração.

Tudo tem sua primeira vez

Na minha vida cibernética, já vi muita gente entrar em blogs para criticar a vida alheia. Sempre achei uma perda de tempo. Se não gosto da pessoa, porque vou querer saber da vida dela. De quem não gosto, nada tenho curiosidade.

Este é o meu terceiro blog, ainda não pegaram pesado com comentários, mas já tive dois momentos de alfinetadas gratuitas. Por ser um blog de poucos acessos, costumo me soltar mais, e fico surpresa das poucas pessoas que passam por aqui, perderem seu tempo para me criticarem.

Já fui chamada de hipócrita, por querer emagrecer e defender as pessoas que assumem os quilos a mais. E desta vez, fui acusada de não virar o disco, de viver numa novela.

Não conheço meus desafetos virtuais. E meus inimigos reais nem perdem tempo lendo meu blog. Pelo que eu saiba, não tenho tantos inimigos assim.

Como tenho poucos leitores, não vou desperdiçar meus poucos comentários e responderei a crítica. Minha vida é muito repetitiva, isso é verdade. Mas nada parece com uma novela. Não sou a mocinha e também não sou a vilã. Nunca aceitarei ser a coadjuvante da minha vida.

Erro, acerto, tropeço, choro, rio como qualquer outro ser humano. Posso ser cruel, mas tenho meu lado generoso. Geralmente escrevo no blog, para não alugar as amigas, as tristezas que me acometem. No meu dia a dia, tento ser mais alegre e fazer mais piadas.

Confesso que fico curiosa de saber se a Dani ou John são pessoas que adquiriram uma implicância comigo, só por ler meus textos por aqui. Ou se de alguma forma me conhecem na vida real. Será que já pisei no calo deles? Será que é alguém que finge ser meu amigo na vida real? Ou são pessoas, que nunca troquei uma palavra, mas que adquiriram antipatia à primeira vista. Será que está relacionado com algum homem que me relacionei? Se for, nem perca tempo aqui. Não procuro ex. Nem aqueles que saí do relacionamento gostando.

De qualquer forma, John e Dani ofereço oportunidade de me conhecerem realmente. Vocês podem se surpreender positivamente sobre mim. E descobrir uma nova amiga. Fica a dica.

Fim

Sabe aquela história de paixão e pedra. Quando escrevi não tinha uma ligação, mas agora tem. Mais uma relação failed. Só que desta vez, é a última que acontece. Falo com toda certeza que vai fundo na minha alma. Intuição pura e porque estou jogando no universo a minha felicidade.

Tragam mais limões, já aprendi fazer limonadas. 😛

No meio da minha pedra tinha um caminho

Estou com um problema. Grande. Do tipo que me tira o sono, abala minha confiança, desmorona minha vontade. Do tipo que não mata a pessoa, mas rouba-lhe a paz de espírito, como costumam fazer os problemas.

Ele chegou num momento de algumas dificuldades de outras naturezas e me pegou de forma inesperada.

Hoje, fui para a terapia com o problema no colo, em primeiro plano.

Sei que tenho que resolvê-lo e, enquanto isso não acontece, não posso permitir que o problema sequestre de mim justamente o que vou precisar para combatê-lo. Se eu estiver mergulhando e um peixe me atacar, a primeira coisa que eu não posso permitir é que ele leve meu cilindro de ar, porque sem respirar não poderei fazer nada.

No final da sessão, minha terapeuta pediu para que eu esperasse um pouco. Voltou com uma imensa e pesada pedra e entregou-a pra mim, dizendo:

– Toma. Esse é o seu problema. Carregue-o na bolsa o tempo todo e veja como você convive com ele.

Fiquei um pouco surpresa com a atitude. Coloquei a pedra sobre o sofá.

– Não, coloque a pedra na sua bolsa. Carregue-a.

– Sacanagem – eu disse. Vou ter que tirar meu iPad, minha necessaire e até o chaveiro de casa pra compensar esse peso a mais na minha já pesada bolsa.

Saí de lá achando graça e com o ombro sofrendo.

Fui até meu carro. Dirigi até em casa, larguei o carro na garagem e fui fazer as unhas rapidamente para um compromisso à tarde. Levei a pedra comigo, um tanto quanto contrariada.

Ao chegar de volta em casa, pensei:

– Poha, não é porque ELA/ a VIDA  /seja lá quem for  ME DEU esta pedra que eu sou OBRIGADA a carregá-la.

Quem disse que eu TENHO que carregar essa porcaria e ficar sofrendo?

Bom, eu não vou arremessar a pedra contra ninguém, mas também não vou ficar aqui como uma idiota obedecendo uma ordem que não faz sentido. Eu não mereço essa injustiça. Essa dor não me cabe. E eu não vou aceitar.

Cheguei em casa, peguei a pedra, tirei-a da bolsa e achei o lugar perfeito pra ela: a porta do meu escritório que costuma bater quando o vento sopra.

Perfeito. Eu não preciso carregar a pedra, mesmo possuindo-a. Ela vai ficar lá no chão, sem me incomodar. E ainda vai resolver um problema da minha casa pra mim.

E aí eu pensei:

– É isso.

Eu tenho um problema. Mas eu posso tê-lo sem carregá-lo comigo o tempo todo. Eu vou deixá-lo ali. Até a hora de me livrar dele. Sem ficar sofrendo o tempo todo. Essa é a metáfora. Essa é a atitude.

Depois de tantos anos ouvindo o famoso verso de Drummond “no meio do caminho tinha uma pedra”, descobri que “no meio da minha pedra tinha um caminho”.

Fonte: blog Querido Leitor

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P.S.: Vou pegar a minha pedra e enfeitar o meu jardim. Estou cansada de olhar minhas plantinhas que estão sempre dá mesma forma. Não vou deixar de ver minha pedra, mas colocarei do lado da minha roseira. Ela vai dar uma perfumada na pedra, vai que ela amoleça????

Me apaixonei de novo

No meio de uma quinta-feira, entre uma matéria e outra, lendo antigas transcrições caí em mim, que estou apaixonada. E este sentimento, que inundou meu ser, me deixa confusa. Desde domingo, não tenho paz, só penso nele. Não sei o que fazer, que rumo seguir.

Não faço ideia se sou correspondida, não tenho nenhuma garantia de nada. Mas já estou de novo, apostando no amor. Ah, L’amore.

Novo amor, novos aprendizados, novas entregas e antigos medos.

E ele nem sabe que estou passando por todo este processo.  O Cérebro está tentando conquistar o mundo, so far away. E eu me sinto tão Pinky com esta cara de bobona, apaixonada, tola e orgulhosa dele.

Se ele faz ideia? Não sei. Mas deve desconfiar. Ou não? Quem sabe o que passa na cabeça de um homem?

Só queria que estivesse aqui para embolar minhas pernas na dele, rir da sua falta de jeito, acariciar as suas costas e deitar no seu peito. Com isso estaria protegida e feliz. E nada mais ia temer.

Quase consigo ouvir o som da gargalhada, posso sentir a mão dele em mim, a felicidade estampada no rosto, a insegurança das noites solitárias desérticas e a excitação da nova vida.

O que me resta é esperar e relembrar:

The Last Time I Saw Richard

The last time I saw Richard was Detroit in 68
And he told me all romantics meet the same fate Someday, cynical and bitter and boring someone
In some dark café
You laugh, he said you think you’re immune,
Go look at your eyes
They’re fool of moon
You like roses and kisses and pretty men to tell you
All those pretty lies, pretty lies
When are you gonna realize they’re only pretty lies
Only pretty lies, pretty lies

He put a quarter in the wurlitzer, and he pushed
Three button and the thing began to whirl
And a waitress came by a fishnet stockings and a bow tie
And she said drink up now it’s getting on time to close
Richard, you haven’t really changed, I said
Is she that now you´re romanticizing some pain that’s in head
You’ve got tombs in your in eye, but the songs
You punched are dreaming
Listen, they talk of love so sweet
When are you gonna get back on your feet?
Oh and love can be so sweet, love so sweet

Richard got married to a figure skater
And he bought her a dishwasher and a coffe percolator
And he drinks at home now most night with the TV on
And all the house lights left up bright
I’m gonna blow this dam candle out
I don’t want nobody, comin’ over to my table
I´ve got nothing to talk to anybody about
All good dreamer pass this away someday
Hidin’ behind bottles in dark café
Dark cafes
Only a dark coccon before
I get my gorgeous wings
And fly away
Only a phase, these dark cafe days